O combate à corrupção, uma bandeira defendida pelo Presidente da República, João Lourenço, no poder desde 2017, não tem “pernas para andar”, no seio da Administração Geral Tributária (AGT), onde ocorrem diariamente os graves escândalos de desfalque, com desvios milionários.

Especialistas apontam para a necessidade urgente de um departamento interno robusto e autônomo para auditar transações financeiras, sem necessidade de aprovação hierárquica.

“O Presidente da República deu um voto de confiança à juventude para a gestão da Administração Geral Tributária (AGT), hoje é uma desilusão”, disse ao jornal Hora H, o analista político Januário Roberto Semedo Pedro.

Para este analista, a administração Geral Tributária tem enfrentado graves escândalos de desfalques financeiros e fraudes nos últimos anos (2025-2026), envolvendo funcionários internos e manipulação de sistemas.

“São filhos, sobrinhos, primos (…), e irmãos de altos responsáveis deste país, que estão “golpear” o Presidente da República, na AGT expondo a fragilidades no sistema de fiscalização e gestão pública do país”, acrescentou o analista político.

O economista Mateus Gerónimo Zangui Paulo, diz que de entre os servidores públicos, os funcionários da AGT são os que têm os melhores salários do país, por isso, não motivos de desfalcarem regularmente os cofres do Estado.

Na sua opinião, hoje na AGT, a fraude envolvia o fornecimento de senhas de funcionários, incluindo alguns sob licença de trabalho, a terceiros para realizar operações fraudulentas, focadas principalmente em reembolsos indevidos de impostos.

Refira-se que a AGT anunciou, quinta-feira, 16, que submeteu aos órgãos competentes um conjunto de elementos que indiciam a tentativa de fraude em montante que ascende os mil milhões de Kwanzas, com indícios fortes de participação de técnicos da instituição.
‎Apesar de não detalhar os factos, a AGT afirmou que os elementos de prova já foram enviados aos órgãos de investigação, enquanto os valores detectados foram devidamente identificados e já se encontram em processo de cobrança, de modo a garantir a salvaguarda da referida receita.
‎De acordo com a instituição, a identificação da suposta fraude ocorreu no âmbito dos seus procedimentos de controlo interno, que possibilitou divisar a existência de práticas ilícitas passíveis de responsabilização criminal.
‎Segundo a nota, os indícios apurados apontaram para condutas lesivas ao erário público, em manifesta violação dos princípios da legalidade, ética e probidade que regem a Administração Pública, em geral, e a actuação da AGT, enquanto entidade responsável pela administração dos impostos, em particular.
‎No documento, a instituição avança que a sua capacidade de identificar e investigar práticas fraudulentas passíveis de responsabilização disciplinar e criminal tem sido cada vez melhor fruto de um eficaz mapeamento dos processos e da introdução de mecanismos de inteligência no monitoramento de riscos de fraude.
‎A AGT reafirmou que mantém e continuará a manter uma postura firme, rigorosa e implacável contra quaisquer práticas ilícitas, seja por parte de técnicos da instituição, contribuintes ou
‎entidades externas, não tolerando comportamentos que atentem contra o erário público.
‎A instituição acrescentou que continuará a reforçar os seus mecanismos de controlo, prevenção e deteção, incluindo o uso de soluções tecnológicas avançadas, mantendo a sua política de tolerância zero à práticas ilícitas e a quaisquer actos que comprometam a credibilidade da instituição e o interesse público.

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