O Papa Leão XIV afirmou, hoje, em Luanda, que “o desejo de infinito que habita o coração humano é um princípio de transformação social mais profundo do que qualquer programa político e cultural”.
“É para mim um grande motivo de alegria estar entre vós, obrigado Senhor Presidente pelo convite para visitar Angola e pelas palavras de boas-vindas”, começou por dizer o Santo Padre, que se identificou como aquele que vem ao encontro do povo tal como “um peregrino que procura os sinais da passagem de Deus nesta terra que Ele ama”.
Antes de prosseguir, Robert Prevost assegurou que vai orar pelas vítimas das cheias que atingiram a província de Benguela, bem como expressar “a sua proximidade para com as famílias que perderam as suas casas”, reconhecendo que está a par da união e a grande corrente solidária em favor dos sinistrados.
Nesse contexto, o Papa lembrou os tesouros que as circunstâncias mais adversas não conseguiram extinguir dos angolanos.
“O vosso povo possui tesouros que não se vendem, nem se roubam. Em particular, possuem uma alegria que nem mesmo as circunstâncias mais adversas conseguiram extinguir. Essa alegria que também conhece a dor, a indignação, as desilusões e as derrotas”.
Tal como já havia feito nos Camarões, Leão XIV também reprovou os saqueadores de terras e reiterou a importância de quebrar essa cadeia de interesses que reduz a própria realidade e a vida como apenas mercadoria.
Noutro sentido, o Líder da Igreja Católica aludiu, igualmente, ao facto de que “a sabedoria de um povo não se deixa esmorecer por nenhuma ideologia”.
Por outro lado, declarou que está neste país ao serviço das melhores forças que animam as pessoas e as comunidades e que “Angola é um mosaico muito colorido”.
Lamentou, igualmente, como a lógica extrativista provoca sofrimento, mortes, catastrófes sociais e ambientais e como ela no fundo alimenta o modelo de desenvolvimento que discrimina e exclui, mas que “ainda pretende impor-se como o único possível”.
Citou, ainda, Paulo VI que há 60 anos já denunciava uma “civilização comercial, hedonista e materialista” e sempre que essa harmonia foi violada pela prepotência de alguns o povo sofreu.
“África tem uma necessidade de superar fenómenos de conflitualidade e inimizade que dilaceram o tecido social e político de tantos países, fomentando a pobreza e a exclusão”, concluiu, reforçando a importância do diálogo entre todos.
