A Comissão da União Africana (CUA) e os Emirados Árabes Unidos (EAU) reafirmaram a necessidade do reforço da cooperação no domínio da paz e segurança, com vista à materialização da meta da organização continental, que passa pelo silenciar das armas até 2030.

A intenção foi manifestada, terça-feira, em Adis Abeba, Etiópia, durante uma reunião de alto nível encabeçada pelo presidente da CUA, Mahmoud Ali Youssouf, e pelo ministro de Estado dos EAU, Sheikh Shakhboot bin Nahyan Al Nahyan. 

As duas individualidades mostraram-se abertas, neste encontro, ao compromisso com o diálogo político contínuo, bem como o reforço da cooperação na Zon< de Livre Comércio Continental Africana, sublinhando a relação de reforço mútuo entre paz, segurança, comércio e desenvolvimento.

O encontro deu continuidade à primeira ronda de consultas políticas realizada em Abu Dhabi, no dia 13 de Setembro de 2025, no âmbito do Memorando de Entendimento de 2019, e reafirmou o compromisso mútuo de ambas as partes em fortalecer ainda mais a parceria entre os Emirados Árabes Unidos e a União Africana. 

Ambas as partes analisaram os progressos alcançados desde as consultas inaugurais e trocaram pontos de vista sobre as áreas prioritárias de cooperação.

Nesse sentido, as partes concordaram em intensificar a cooperação e em apoiar essas prioridades estratégicas, reconhecendo que a paz duradoura sustenta a integração económica, enquanto a expansão do comércio e do investimento contribui para a estabilidade, a resiliência e o desenvolvimento sustentável em África.

A ocasião serviu, ainda, para ambos os lados saudarem o lançamento da iniciativa “IA para o Desen- volvimento” dos Emirados Árabes Unidos, orçada em 1 bilião de dólares, valor anunciado na Cimeira de Líderes do G20, em Joanesburgo, em Novembro de 2025, e afirmaram o seu potencial para apoiar as prioridades de desenvolvimento de África, por meio da inovação e da transformação digital.

Mahmoud Ali Youssouf e Sheikh Shakhboot bin Nahyan Al Nahyan trocaram pontos de vista sobre a dinâmica da paz e da segurança no Corno de África, sublinhando a estreita interdependência entre a estabilidade daquela região e a segurança no Golfo Arábico, sobretudo no que diz respeito à segurança marítima e à prosperidade regional.

Em relação à situação reinante no Sudão, ambos os lados enfatizaram a necessidade de uma trégua humanitária imediata e incondicional, um cessar-fogo permanente, acesso humanitário irrestrito em todo o país, responsabilização por vio-lações do Direito Internacional Humanitário e o estabelecimento de um governo independente liderado por civis, que reflicta as aspirações do povo sudanês.

A Comissão da União Africana e os Emirados Árabes Unidos recordaram a declaração conjunta emitida pela Comissão da União Africana e pela Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento (IGAD), um bloco comercial de oito países africanos, em Setembro de 2025.

As partes lembraram, também, que a Conferência Humanitária de Alto Nível convocada à margem da Cimeira da União Africana, em Fevereiro de 2025, saudaram os esforços regionais e internacionais para enfrentar a crise hu- manitária e condenaram as atrocidades cometidas contra civis pelas partes em conflito. As duas individualidades reafirmaram o apoio à integridade territorial e à unidade do Sudão, bem como a necessidade imperativa de uma solução pacífica. 

A questão da Somália foi outro tema abordado durante o encontro. Sobre este assunto, as partes reafirmaram apoio à soberania, integridade territorial, segurança e estabilidade daquele país. 

A ocupação das três ilhas dos Emirados Árabes Unidos (Grande Tunb, Pequena Tunb e Abu Musa) pelo Irão foi outro tema abordado. Sobre este particular, ambos os lados consideraram a acção uma violação da soberania dos Emirados Árabes Unidos e dos princípios da Carta das Nações Unidas. Reiteraram, por isso, o seu apoio ao apelo dos Emirados Árabes Unidos para uma resolução pacífica da disputa sobre as três ilhas, em conformidade com o Direito Internacional, inclusive por meio de negociações bilaterais ou do Tribunal Internacional de Justiça. 

Tendo como pano de fundo o tema da UA para 2026 sobre água e saneamento, as partes destacaram a Conferência das Nações Unidas sobre a Água de 2026, que será co-organizada pelos Emirados Árabes Unidos e pelo Senegal, como uma oportunidade fundamental para impulsionar a acção global em prol da resiliência hídrica.

UMA INICIATIVA CHAVE DA UA PARA ACABAR COM OS CONFLITOS

Silenciar as Armas em 2030 é uma iniciativa chave da União Africana, parte da Agenda 2063, que tem como objectivo acabar com os conflitos no continente através da paz, segurança e do desarmamento, com foco na erradicação do terrorismo, no controlo de armas ilícitas e na reintegração de ex-combatentes, como evidenciado pelas discussões e acções em países como Moçambique. 

A iniciativa consiste num Roteiro Mestre, que constitui um plano estratégico da UA com medidas práticas para alcançar a paz duradoura em África até 2030, assim como a prioridade continental, um dos principais objectivos da Agenda 2063 da União Africana, “A África que Queremos”. 

A iniciativa tem, ainda, como focos o combate ao terrorismo e extremismo, através dos quais aborda as causas dos conflitos e a proliferação de grupos armados, como o terrorismo em Moçambique. 

Em resumo, “Silenciar as Armas em 2030” é um ambicioso esforço africano para construir um continente pacífico, mas enfrenta desafios complexos de governação, segurança e desenvolvimento.

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