O Presidente do MPLA, João Lourenço, lamentou ontem, em Luanda, o facto de alguns cidadãos preferirem “ter um comportamento de permanente vitimização e auto-exclusão do direito inalienável do exercício e benefício da sua cidadania.”

O líder do MPLA, que falava na abertura da 9.ª Sessão Ordinária do Comité Central do partido, afirmou que “esta atitude em nada abona a favor da paz e da reconciliação nacional”, acrescentando que “ela revela uma agenda política escondida e de mau agouro para o futuro do país.”

“Lamentavelmente, constatamos que, passados 23 anos do fim do conflito armado e alcançada a paz, alguns cidadãos angolanos, mesmo sem razões e fundamentos reais, preferem ter um comportamento de permanente vitimização e auto-exclusão do direito inalienável do exercício e benefício da sua cidadania, que, como angolanos que são, nenhum Estado ou poder político lhes pode retirar”, declarou o Presidente do MPLA.

O líder do partido que sustenta o Governo apelou, por isso, a todos os angolanos para abandonarem essa postura, segundo sublinhou, “contrária ao sentimento da esmagadora maioria do povo”, e a unirem esforços em prol da consolidação da paz e da estabilidade.

Ao discursar na 9.ª Sessão Ordinária do Comité Central do MPLA, realizada no Centro de Conferências de Belas, João Lourenço recordou que o país celebra este ano os 50 anos da Independência Nacional, um marco que deve orgulhar a todos pelo percurso histórico que a Nação trilhou desde 1975.

O líder do MPLA enalteceu o papel do seu partido na luta contra o colonialismo português e na proclamação da Independência, pelo primeiro Presidente da República e Fundador da Nação, António Agostinho Neto, em 11 de Novembro de 1975.

Durante o discurso, João Lourenço destacou, igualmente, o fim da guerra e o alcance da paz, em 2002, como um dos momentos mais marcantes da história contemporânea do país, ao lembrar que o processo de reconciliação nacional, iniciado pelo antigo Presidente José Eduardo dos Santos, foi um passo decisivo para a estabilidade e o desenvolvimento.

Segundo o líder do MPLA, este processo de paz e estabilidade foi consolidado com a inumação dos restos mortais de Jonas Savimbi para a sua terra natal, e com o pedido público de perdão feito pelo Presidente da República à Nação e às famílias das vítimas dos conflitos políticos, de 1975 a 2002, culminando com a criação da Comissão Interministerial para as Vítimas dos Conflitos Políticos (CIVICOP), sob o lema “Perdoar e Abraçar”.

“Estes factos irrefutáveis demonstram o nosso verdadeiro comprometimento com a paz e a reconciliação nacional, por entendermos que só nesse ambiente é possível reconstruir e desenvolver o país, construir a nação de hoje e do amanhã”, afirmou.

João Lourenço considerou lamentável que, 23 anos após o fim do conflito armado, ainda haja cidadãos que preferem manter uma postura contrária ao espírito de unidade e superação.

Compromisso coma reconciliação

O líder do partido maioritário reiterou que o MPLA continua comprometido com a preservação da paz conquistada e com o cultivo da reconciliação nacional em todos os actos da vida política e social.

“Para o progresso do nosso país, precisamos do concurso de todos os partidos políticos, estejam no poder ou na oposição, das igrejas, das empresas, das associações profissionais, dos investigadores, dos sindicatos e de todos os comprometidos, em primeiro lugar, com a Pátria e a Nação angolana”, frisou.

João Lourenço saudou, também, as iniciativas da sociedade civil e das igrejas que “concorram para a consolidação da paz e da concórdia entre os angolanos”, tendo elogiado, em particular, a realização do culto ecuménico alusivo ao 50.º aniversário da Independência, previsto para o dia 8 de Novembro. “É um momento ímpar da contribuição espiritual das igrejas para os diferentes desafios de Angola”, destacou.

Durante o encontro, o Presidente do MPLA referiu-se, ainda, a outros temas em análise na reunião do Comité Central, entre os quais o “Conteúdo local nas indústrias dos recursos minerais, petróleo e gás”, que considera “um assunto de grande interesse, no quadro do empoderamento dos empresários e empresas angolanas que queiram entrar neste mundo exigente e competitivo da economia”.

Preparação paraas eleições de 2027

O líder do partido que sustenta o Governo avançou que o MPLA começa, também, a preparar as acções políticas e organizativas que antecedem o Congresso Ordinário e as Eleições Gerais de 2027.

“Devemos preparar e organizar convenientemente o Congresso da OMA, pela importância que esta organização tem para o nosso Partido e pelo importante papel que sempre desempenhou na luta pela igualdade de direitos de género e pela promoção da mulher angolana na nossa sociedade”, sublinhou o Presidente do MPLA.

João Lourenço encerrou o seu discurso lançando um apelo à mobilização e unidade de todos os militantes do MPLA, e realçou que o Parlamento “é um verdadeiro campo de batalha, no bom sentido”, e que os deputados devem ser devidamente preparados e informados sobre os grandes temas nacionais.

“Os Comités do Partido, a todos os níveis, devem realizar actividades à altura da efeméride do 10 de Dezembro, para encerrarmos o ano em alta”, concluiu.

A 9.ª Sessão Ordinária do MPLA juntou membros do Comité Central para analisar questões ligadas à vida interna do partido e à situação política, económica e social do país.

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