A Primeira-Dama da República, Ana Dias Lourenço, destacou, hoje, em Acra, no Gana, que o Protocolo sobre Mulheres e Jovens na Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLA) assume um papel central e inalienável.
Ana Dias Lourenço falava na qualidade de convidada especial no Fórum Diálogo Africano sobre Prosperidade (APD), realizado sob o lema “Empoderar as Pequenas e Médias Empresas, as mulheres e os jovens no mercado único africano”.
Afirmou que a inclusão económica não acontece de forma automática ou por mero decreto, exigindo por isso, a implementação de políticas activas, a adopção de medidas correctivas e uma abordagem consciente e persistente para se ultrapassar as desigualdades históricas e estruturais que continuam a limitar a participação plena de mulheres e jovens na economia formal e no comércio intra-africano.
“Para tornar essa visão uma realidade concreta, é essencial investir de forma consistente e estratégica em infra-estruturas físicas e digitais de última geração”, defendeu.
A Primeira-Dama da República apelou, igualmente, à facilitação do acesso ao financiamento e aos serviços financeiros, fortalecendo deste modo as capacidades produtivas em todo o continente.
Considerou que a inclusão digital, a literacia tecnológica e o acesso facilitado às plataformas de comércio electrónico devem ser encarados como pilates estruturais de inclusão económica moderna.
Prosperidade partilhada
Neste particular, Ana Dias Lourenço sublinhou que a ZCLA não deve ser vista apenas como um acordo comercial e técnico, mas um instrumento estratégico capaz de transformar o imenso potencial económico, “a nossa vasta diversidade cultural e inesgotável riqueza humana em prosperidade partilhada, equitativa e sustentável para todos os filhos deste solo africano testando assim a nossa capacidade colectiva”.
“Hoje, o continente tem as bases para avançar com coragem e determinação rumo à construção efectiva de um mercado comum africano”, assinalou.
Defendeu, igualmente, uma abordagem realista na implementação do comércio livre africano, sublinhando que o verdadeiro sucesso e a sua sustentabilidade a longo prazo dependerão da capacidade de garantir que o processo de integração seja inclusivo, justo e amplamente participativo.
Segundo Ana Dias Lourenço, para o cumprimento do seu propósito é fundamental tratar com especial atenção o vasto sector informal que, embora muitas vezes invisíveis nas estatísticas oficiais, sustenta milhões de famílias africanas dependentes de mulher” .
Fundação Ngana Zenza
A Primeira-Dama partilhou, ainda, as iniciativas desenvolvidas pela Fundação Ngana Zenza para o Desenvolvimento Comunitário, como a plataforma “Transforme Vidas, Seja Mulher”, orientada para o empoderamento de jovens mulheres, e a implementação do Campus Juvenil do Cunene, vocacionado para a formação em liderança, capacitação profissional e participação cívica.
Reconheceu que muitas mulheres continuam a operar em sectores de menor rentabilidade e enfrentam barreiras culturais profundas, pelo que defendeu, por isso, a transversalização da perspectiva de género desde a concepção das políticas públicas até à sua implementação, como condição essencial para garantir igualdade de oportunidades.
Disse que investir nas mulheres e nos jovens não é um gesto simbólico, mas uma decisão estratégica para garantir economias mais fortes, sociedades mais justas e um futuro africano de prosperidade verdadeiramente partilhada.
Sobre o evento
O Fórum Diálogo Africano sobre Prosperidade, que encerra amanhã (sexta-feira) é uma plataforma estratégica e de alto nível que reúne líderes políticos, empresariais e de pensamento de África para promover a integração do continente e a prosperidade partilhada, em consonância com a Agenda 2063 da União Africana.
Organizado pela “Africa Prosperity Network”, em parceria com o Secretariado da Zona de Comércio Livre Continental Africana (ZCLCA/AfCFTA), o APD impulsiona colaborações ousadas, políticas accionáveis e projectos financiáveis, com o objectivo de desbloquear o potencial de África como o maior mercado único do mundo, beneficiando mais de 1,4 mil milhões de pessoas.
