Agentes da Polícia de Intervenção Rápida (PIR), no Cunene, denunciam alegados casos de tortura, abuso de poder e perseguição interna envolvendo a comandante provincial da unidade, superintendente-chefe Judith Viemba, o segundo comandante conhecido como Cambinda 2 e o procurador militar provincial, tenente-coronel Domingos Venâncio.
Segundo a denúncia, dois agentes teriam sido condenados por deserção após se ausentarem da unidade por apenas três dias, sendo detidos e enviados para a cadeia da Capanda de forma considerada injusta. Em outro episódio, dois agentes foram alegadamente agredidos dentro da unidade após serem acusados de circular fardados na cidade de Ondjiva. Um deles terá sofrido lesões graves, incluindo acúmulo de sangue numa costela, confirmado por exames médicos.
Os denunciantes afirmam que, dias depois das agressões, o procurador militar emitiu mandados de detenção contra os agentes, numa tentativa de encobrir os atos de violência. A denúncia aponta ainda para um alegado conflito de interesses, por existir uma relação pessoal entre o procurador e a comandante da PIR, o que teria comprometido a imparcialidade dos processos.
Os autores do relato pedem a avaliação das provas existentes, incluindo vídeos, e responsabilização dos envolvidos, alertando para o impacto destes alegados abusos na credibilidade das instituições e na segurança jurídica dos efectivos da corporação.
