Mera coincidência ou foi preciso jorrar muita tinta na imprensa, para que houvesse o reconhecimento e consequente atribuição de medalhas na categoria de Paz e Desenvolvimento a duas associações de defesa dos direitos humanos, Associação Mãos Livres (AML) e Associação Justiça, Paz e Democracia (AJPD).
R epresentadas pelos juristas Salvador Freire dos Santos e Serra Bango, respectivamente, as duas associações serão condecoradas amanhã, sábado, 25, pelo Presidente da República,João Lourenço, como reconhecimento das suas actividades em prol dos direitos humanos e promoção da cidadania.
No caso particular da Associação Mãos Livres, é uma das que mais têm se batido pela causa da observância dos direitos dos homens, e a sua actividade, que remonta ao ano de 2000, ganhou visibilidade desde muito cedo, quando defendeu o caso dos Moradores das Barrocas da Boavista, no município do Sambizanga, quando foram transferidos compulsivamente para o antigo ‘deserto’ do Zango, hoje município com o mesmo nome, em condições subhumanas de habitabilidade.
Foi uma situação que mexeu com o país, porque na altura os seus advogados insurgiram-se contra a decisão tomada pelo Governo Provincial de Luanda (GPL), por na altura não ter havido condições de realojamento daquela população.
Outros casos mediáticos, foram os do ‘Cassule e Kamulingui’, ‘Frescura’ ‘Kim Ribeiro (defesa da família Domingos Mizalaque)’ ‘Monte Sumi’, no Huambo, em que morreram mais trinta pessoas da Igreja Adventista do Sétimo Dia a Luz do Mundo, de Jolino Kalupeteka, depois de um confronto com as autoridades policiais.
Apesar da crise económica e financeira internacional, que o mundo vive desde Junho de 2014, que suspendeu vários financiamentos, por parte dos seus principais doadores, a Associação Mãos Livres continua a trabalhar, como pode, aliás, à semelhança de outras ONG, mesmo com os parcos recursos financeiros.
Presentemente, as suas acções estendem-se na assistência jurídica aos reclusos nas cadeias, com realce nas províncias de Luanda, Bengo e Icolo e Bengo, onde está concentrada a maior população penal do país.
Além de Luanda, as suas acções filantrópicas estendem-se também nas províncias do Huambo, Bié, Cubango, Huíla, Cunene, Cabinda, Zaire, Uíge, Malanje e Lunda Norte.
Desde a sua fundação, já lideraram a associação, os juristas David Mendes, Salvador Freire dos Santos e Guilherme Neves, cuja organização é constituída por juristas e jornalistas.
