O transporte ferroviário, símbolo histórico de ligação e desenvolvimento nacional, voltou a ser palco de desespero e frustração dos cidadãos angolanos sem opção é escolha por falta de estrada no corredor Bié e Luena, Província Do Moxico, promessas não cumpridas.
Um comboio proveniente da cidade do Luena, província do Moxico, com destino ao Huambo, descarrilou esta quinta-feira na comuna de Cangonga, interrompendo a viagem e provocando forte desalento entre os passageiros que aguardavam no percurso inverso.
Dois comboios parados, centenas de vidas em espera a fome é o pesadelo para os passageiros dos caminhos de Ferro de Benguela (CFB).
O comboio Luena–Huambo havia partido às 6h00, enquanto o comboio Huambo–Luena partira dez minutos depois, às 6h10. Ambos deveriam cruzar-se em segurança na região do Cuemba, província do Bié.
Contudo, desde as 15h00, o comboio do Huambo–Luena encontra-se imobilizado na estação do Cuemba, aguardando por uma solução após o descarrilamento do comboio oposto. Até o momento, não há previsão de recuperação ou prosseguimento da viagem.
Sem alternativas viáveis nas estradas ou transporte aéreo, os passageiros que dependem dos Caminhos-de-Ferro de Benguela (CFB) permanecem reféns da falta de informação e assistência. Muitos relatam longas horas de espera sob temperaturas elevadas, sem acesso adequado a água ou alimentação.
“Falta de organização e dignidade”
Passageiros indignados denunciam a falta de organização e transparência por parte da equipa de tripulação dos CFB.
“Pagamos caro, mas viajamos em condições indignas. As diferenças entre classes não existem — todos sofremos da mesma forma, espremidos, sem ventilação e sem informação”, desabafou um dos passageiros.
Outro cidadão lamenta que “a promessa de melhoria das infraestruturas feitas nas eleições de 2022 parece ter sido esquecida, especialmente a reabilitação da estrada nacional 250 (Bié–Luena), que permitiria aos angolanos escolher viajar com dignidade”.
Temperaturas internas são sufocantes e comboios superlotados sem qualquer medida de segurança preocupa os passageiros onde as crianças são alvos.
Além dos acidentes e das falhas técnicas recorrentes, o aumento da temperatura ambiente dentro dos comboios do Corredor do Lobito — que atravessa as províncias do Huambo, Bié e Moxico — tem sido motivo de queixa constante.
Famílias viajam em condições precárias, muitas vezes com crianças desmaiando devido à falta de ar e de ventilação.
Ativista denuncia desigualdade e pede reformas urgentes
O ativista cívico e defensor dos direitos humanos Daniel Tchiwape Calima, que está a viajar no referido comboio denuncia que o problema não reside apenas nos cidadãos, mas nas políticas públicas do setor dos transportes pelos péssimos serviços públicos prestados aos cidadãos. Daniel Tchiwape, fala de superlotação fora de série dos comboios.
“Há uma sensação de discriminação negativa. A fiscalização é rígida no Moxico, mas praticamente inexistente no Huambo e no Bié. Angola é una e indivisível. O artigo 23.º da Constituição garante que todos somos iguais perante a lei — essa igualdade precisa de se refletir também nos trilhos”, defende.
Tchiwape apela à implementação de três comboios diários entre Huambo e Luena — com partidas às 6h00, 9h00 e 14h00 — como forma de aliviar o congestionamento e melhorar as condições de mobilidade.
Chamado à responsabilidade
A situação vivida nos últimos dias volta a expor as fragilidades do sistema ferroviário angolano e a falta de coordenação entre as autoridades provinciais do Huambo, Bié e Moxico.
Urge, segundo os passageiros e ativistas, um diálogo sério e uma intervenção governamental que priorize a segurança, a dignidade e o direito à mobilidade de todos os cidadãos.
“Os comboios deveriam unir Angola. Hoje, estão a separar-nos pela dor e pela incerteza”, conclui o professor e ativista Daniel Tchiwape.
Queres que eu transforme esta peça em formato de reportagem para rádio/TV (com tom mais narrativo e ritmo de leitura) ou que a adapte para publicação em jornal digital (com subtítulos e destaque para citação e dados)?
Daniel Tchiwape — Professor de Física, Defensor dos Direitos Humanos e Ativista Cívico e Social.
